Ultramar

ASPECTOS DA POLÍTICA ULTRAMARINA PORTUGUESA

Estava a guerra perdida?

aos

«Estava a guerra perdida?» Serve esta pergunta de título à conclusão de «A Vitória Traída», que nos escreve o General Silvino Silvério Marques, que aqui já dispensa apresentações.

É lê-lo.


Justificada a razão deste livro, referidos os conceitos essenciais em que se baseava a ideologia nacional e que serviram de suporte a uma doutrina de guerra que se foi criando e aperfeiçoando. não esquecidas as dificuldades que o prolongamento da luta armada nos trazia, e também ao inimigo, esboçado o panorama económico e diplomático vivido por Portugal no princípio de 1974, relatou-se com fidelidade e certo pormenor, a situação, nessa época, em cada um dos Teatros de Operações, segundo a opinião fundamentada e responsável de três comandantes-chefes daqueles Teatros, um deles também governador da respectiva província.

Com o seu preço de sangue diminuindo a partir dos anos 1966-1969 e o seu custo financeiro relativo em declínio desde 1968-1969, guerra havia, em princípio de 1974, ultrapassado, para a Nação e para as Forças Armadas, a sua fase mais aguda. Desde 1966-69 que o inimigo estava cada vez mais longe de a ganhar por acção militar. Só por acção política isso poderia ser tentado. E fardados ou não (infelizmente demasiados fardados), foram essencialmente políticos (bons, maus ou péssimos, a Nação os julgará um dia] que actuaram na rectaguarda em tal sentido.

Particularmente Angola, reflectindo e ampliando a situação geral de Portugal em todas as parcelas, desenvolvera-se espectacularmente nos mais variados sectores, nos treze anos de guerra e apresentava uma posição político-militar brilhante. Somente pessoas não informadas, ou com objectivos políticos suspeitos, não concluiriam que, salvo inesperado e grave incidente, a guerra se encaminhava naquela província para o seu fim, por exaustão militar e política do inimigo, exaustão que já constituía na altura facto consumado para o MPLA e para a UNITA e se previa para breve para a FNLA.

De tal forma isto era assim que algum tempo antes do 25 de Abril, foi esboçada por um emissário ligado a um dos Movimentos, por ele reconhecido como totalmente destruído, a exploração da possibilidade de colocar os quadros desse Movimento, e o que dele restava, à disposição das Forças Armadas Nacionais para, em conjunto, se enfrentar o único Movimento que então ainda se batia1.

O mito da invencibilidade da guerra subversiva, criado e difundido pelos revolucionários, que a ele iam recorrendo, e aceite por ignorantes, ingénuos e cobardes, posto em causa, nos nossos dias, na Malásia, na Grécia, no Quénia, em Cabinda, no Niassa e na América do Sul, ia ser destruído em Angola: no campo sócio-económico, no campo militar e no campo político a guerra ia, ali, ser vencida.

Em Moçambique. o inimigo atrevera-se penetrar com pequenos, mas corajosos, grupos, espectacularmente, através de Tete e certamente do Malawi, nos distritos de Vila Pery e da Beira. Esse atrevimento pagava-o com ónus logístico. As suas linhas de comunicações2, alongavam-se desmedidamente, uma vez que armamento e munições eram transportados, a partir de Dar-Es-Salaam, através da Tanzânia, da Zâmbia e, depois, essencialmente por Tete, e também, aproveitando talvez certa dificuldade de controlo, pelo Malawi. Ligados a Tete, os distritos de Vila Pery e Beira estavam isolados do norte da província e especialmente de Cabo Delgado, no extremo nordeste, região dos macondes, na qual o inimigo exercera inicialmente o seu esforço principal e onde ainda fazia pressão, a coberto do santuário da Tanzânia. Ajauas, e principalmente Macuas - leais e corajosos segundo os havia definido Neutel de Abreu, que os conhecera como nenhum outro - grandes etnias originariamente moçambicanas (embora a primeira se houvesse expandido também para Tanzânia) dos distritos de Moçambique, de parte do Niassa e de parte da Zambézia, constituíam uma barreira humana até então inexpugnável à subversão. Com o enchimento da albufeira de Cabora-Bassa, a qual atingiria larguras de 5 a 30 quilómetros, que se previa (e foi) concluída em Março de 1975, as dificuldades logísticas, e de ligação, do inimigo transbordado de Tete, tornar-se-iam muito agravadas, talvez insuperáveis. Tudo estava encaminhado para que a Armada se instalasse na albufeira e a vigiasse com eficiência. A conclusão de Cabora-Bassa e a facilidade de vigilância consentida pela alargada superfície líquida da albufeira, facilidade já experimentada, com êxito, há anos, no lago Niassa, iam consentir um reforço da acção das nossas forças nas restantes áreas, incluindo mais perfeita atenção à fronteira do Malawi. Tal como a abertura da frente leste em Angola, pelo MPLA, redundara para este Movimento, segundo testemunhos de elementos seus, confirmados pela realidade, num desastre militar, não só pela persistente, incisiva e hábil acção operacional, como pela logística difícil a que obrigara, algo de semelhante iria acontecer com Tete, donde o inimigo passaria a ter redobradas dificuldades de se expandir, após a criação da albufeira. A, acrescer a isto, os novos distritos que a partir de Tete (e do Malawi) estavam a ser envolvidos na guerra tinham uma ocupação completamente diferente de Tete e de Cabo Delgado, regiões essencialmente ainda de campesinato pobre. A subversão ameaçava directamente, pela primeira vez, zonas desenvolvidas, constituídas por boas fazendas e boas instalações industriais. A população de Moçambique estava a receber a primeira grande chicotada. Os acontecimentos da Beira, manipulados ou não, foram, de resto, um reflexo, embora triste, disso. Era necessário que essa chicotada se tornasse estimulante para os muitos que, com justificada irritação das Forças Armadas, viviam ainda alheados da guerra, a qual até então se travara nas regiões mais excêntricas, mais despovoadas e mais atrasadas da província. Chegara a altura de impulsionar a organização da defesa, objectivo por objectivo, com forte apoio dos imediatamente visados, tal como acontecera em Angola, anos atrás, em circunstâncias semelhantes, com total êxito.

A situação militar em Angola. a sua prosperidade, o acerto geral da orientação política-social, permitiam encarar, a breve prazo, a intensificada substituição dos contingentes recebidos da Europa por guarnições locais, militares e policiais, suficientemente desenvolvidas em efectivos, instrução e equipamento, o que a economia e as finanças da província suportavam cada vez com menor dificuldade. Grande parte dos efectivos nas fileiras, ou que por elas tinham passado, africanos e europeus, seriam absorvidos pelas forças policiais cuja estrutura a província estava em condições de melhorar decididamente. As economias em quadros, tropas e até financeiras, resultantes de tal evolução, reverteriam em reforço de Moçambique e da Guiné. O que até era justo, uma vez que tendo sido em Angola que, inicialmente, se fizera o grande esforço - de harmonia com a decisão: «rapidamente e em força» -, nunca mais os outros teatros de Operações, e muito especialmente o de Moçambique, puderam contar com os meios considerados necessários pelos chefes militares3. O impacto, material e psicológico, de uma tal viragem teria repercussões no Portugal europeu e nas restantes províncias capazes de motivar entusiasmos, sempre indispensáveis no decorrer de uma guerra longa4.

Era mais complicado o panorama militar da Guiné, que constituía um pequeno teatro de operações, compartimentado por rios que muito dificultavam as comunicações e encravado entre países que apoiavam o inimigo, que deles partia ou a partir deles actuava, protegido, e a eles, por vezes, se acolhia, protegido, segundo as vicissitudes da guerra. Já no aspecto político a situação era diferente. A guerra da Guiné fora estranhamente conduzida, não para obter a «independência», como diziam, da Guiné, mas para obter a «independência» da Guiné e de Cabo Verde, e unir as duas províncias. Por outro lado, a guerra pôde ali ser, com certa singularidade, dirigida não por guineenses, mas essencialmente por cabo-verdeanos, os quais, embora constituindo a parte mais numerosa da elite intelectual e administrativa, eram também por isso, em geral, malquistos da população. O apoio soviético e cubano fornecido ao PAIGC revelou-se excepcional: foi na Guiné que apareceram os primeiros elementos cubanos, que chegavam a tomar parte em operações, e também as primeiras armas sofisticadas. Este empenhamento soviético e cubano revela que a vitória na Guiné, em princípio a mais fácil de obter nas três províncias em guerra, mas também, em si, aparentemente a menos decisiva em face da política ultramarina portuguesa, constituía para os marxistas um objectivo de extrema importância. Porquê? Pela própria Guiné e sua «independência» liderada afinal mais por cabo-verdeanos que por guineenses e com Conacri ao lado, já na órbita soviética? Ou antes pelo valor estratégico de Cabo Verde e pela indispensável ponte que os cabo-verdeanos da Guiné (na concepção para tanto criada da «independência» conjunta da Guiné e de Cabo Verde) garantiam para se atingir o Arquipélago, praticamente inacessível por outra forma? Após o 25 de Abril, nas «negociações» apressadamente iniciadas com o PAIGC, os responsáveis deixaram envolver o Arquipélago. Depois foi criado, através de equipas constituídas essencialmente por elementos marxistas da Armada portuguesa, o ambiente de terror que subverteu algumas ilhas. E assim caiu na órbita soviética Cabo Verde, a posição atlântica, mais importante da zona intertropical. Cabo Verde, o objectivo estratégico da guerra da Guiné, foi conseguido por uma subtil manobra de acção indirecta5, a única possível dada a paz em que o Arquipélago sempre tinha vivido e o seu isolamento físico e o patriotismo da sua população6. De qualquer forma a singular e complexa situação que se referiu, o mal-estar permanente gerado entre cabo-verdeanos e guineenses do PAIGC e o seu reflexo na população, foram dando origem no decorrer da guerra, a aproximações e contactos entre responsáveis daquele Movimento e autoridades portuguesas. Talvez que o assassinato de Amílcar Cabral tenha sido consequência de tudo isto e também do peso da subordinação soviética de que sentisse necessidade de se libertar.

A solução militar definitiva da Guiné, mesmo com o reforço possível dos meios, não era pois fácil. Porém, com o problema de Angola resolvido, não seria certamente difícil chegar a esquemas que conduzissem a um resultado aceitável, em face das circunstâncias políticas que se esboçavam.

Angola constituíra-se, pelo notável desenvolvimento em todos os sectores, pela geral correcção da acção político-social e pelo êxito da acção militar, tudo resultando do interesse e do esforço devotado do Governo do país, dos sucessivos Governos-Gerais, da Administração local e, muito especialmente, das Forças Armadas e das suas populações de todas as etnias, na chave da solução da guerra, imposta do exterior, e que o nosso povo, de aquém e de além mar, tinha até então, corajosamente enfrentado. A vitória, em Angola, estava à vista. Com ela, toda uma evolução na situação do Ultramar português, convergente com a ideologia nacional era mais que previsível7. O país pluricontinental e a nação multi-racial (e multicultural) acabariam por surgir fortalecidos, e até enriquecidos, da dolorosa provação provocada essencialmente por interesses que lhes eram estranhos.

É assim de admitir que, perante esta perspectiva, o inimigo imaginasse o recurso a grandes (e arriscados) métodos para tentar rapidamente, de um só golpe se possível, fazer perder a guerra que estava ganha. A solução eficiente, se concretizável, consistiria em fazer desmoronar a máquina militar, actuando na sua rectaguarda e no seu nervo: os quadros mais jovens. Apelando para sentimentos nobres, nuns casos, desprezíveis noutros, dispondo, aqui •e ali, de enquadramento adequado, há muito objecto de preparação, não foi afinal difícil que idealistas, ingénuos, ambiciosos •e frustrados se deixassem manipular. O 25 de Abril, sob o aspecto estrito da guerra que se travava, não pode hoje, após tudo o que ocorreu de manobras, golpes, cumplicidades, deixar de ser interpretado como estando inserido num vasto conluio, que ultrapassou o quadro nacional (e evidentemente a consciência de muitos dos implicados), o qual teve por objectivo impedir a vitória militar, económica e política que estava à vista em Angola e se reflectiria num volte-face em Moçambique e numa evolução favorável na Guiné. Portugal que havia disposto, nos mais difíceis anos de guerra, de estadistas excepcionais, governantes e e chefes militares, em geral, à altura da missão e, além dos soldados de sempre, de jovens oficiais que pelo seu comportamento recordavam os seus celebrados capitães de África, acabou por não contar, nas últimas promoções, com quadros à altura da sua História. Consciente ou inconscientemente, muitos acabaram por defender interesses opostos aos da sua Pátria que haviam jurado servir «com todos os seus territórios» até ao sacrifício da vida. O resultado dessa atitude quanto à guerra, ao destino do Ultramar, à chamada «descolonização», encontra-se presente sob os seus e os nossos olhos e constitui uma acusação viva que lhes está provocando, com o remorso e o medo, a alienação no prazer, nos baixos jogos políticos, na contínua intriga profissional no seio de uma Instituição destruída. A prazo não é de rejeitar, ainda como consequência daquela atitude e do desequilíbrio estratégico a que deu origem, a antecipação de um conflito mundial onde se jogue a sorte da civilização ocidental, se não da própria humanidade.

Executado o 25 de Abril, logo precipitadamente, as negociações oficiais com o inimigo se iniciaram pela Guiné aproveitando amizades feitas com o PAIGC. no tempo de guerra, por colaboracionistas portugueses tornados importantes após a Revolução. Segundo revelações já vindas a público, em paralelo com tais negociações oficiais foram decorrendo outras, secretas, de elementos militares da então poderosa Comissão Coordenadora do MFA e dos seus misteriosos orientadores. De tudo, que se deve ter mutuamente prejudicado, se não traído, e que se processou atabalhoadamente, sem dignidade, resultou ter-se sido incapaz de acordar o referendo, acabando-se por, sucessivamente vexado e vencido, entregar a Guiné a um partido que se sabia não ser representativo das populações. Cabo Verde foi, habilmente, envolvido no processo, embora o Arquipélago nada tivesse com a Guiné e a sua situação houvesse sido sempre de paz absoluta, como se disse. Em Moçambique esquema semelhante, do mesmo modo atabalhoado e talvez ainda menos digno, repetiu-se. Resultados idênticos, e em escala ampliada, foram obtidos. Quando chegou a vez de Angola já o desmantelamento aí se havia processado, por via nalguns casos ignominiosa, com descarados e escandalosos apoios, quase todos já suficientemente conhecidos8.

Timor, que vivia em absoluta paz, também foi envolvida na tragédia da «descolonização», por forma que constitui repugnante traição de poucos à sua Pátria e aos timorenses que sempre haviam dado provas de extrema lealdade e patriotismo. Também S. Tomé foi envolvida forçadamente no mesmo singular «processo».

A prioridade dada ou aceite, para as «negociações» teria, talvez como justificação procurar reduzir o risco militar, atenuando-o onde se reconhecia maior. Porém, orientados com a indispensável firmeza, e devidamente esclarecidos, possuíamos ainda excelentes e suficientes quadros para levarem soldados, que sempre tiveram valor não inferior ao dos seus chefes, a vencer a batalha da paz, que assim se perdeu, com o sacrifício de milhões de portugueses de todas as etnias e a desonra do nosso povo. Mas pode hoje perguntar-se se as «negociações» com o inimigo não deveriam ter decorrido simultaneamente (embora separadamente), ou se não deveriam ter começado por Angola, onde a sua situação era francamente de derrota. Com o MPLA e a UNITA, na altura, praticamente sem qualquer capacidade militar, não seria talvez difícil concertar a solução programada: o referendo. O exemplo daí resultante repercutir-se-ia nas negociações de Moçambique e da Guiné. Da forma sucessiva como as negociações decorreram, as vantagens foram todas para o inimigo. O tempo, e o exemplo negativo dado constituíram mesmo a via necessária para conduzir a abandonar Angola ao Movimento que mais destruído chegara ao fim da guerra. Aparentemente. Pois na realidade a província foi abandonada a cubanos actuando sob tutela soviética. Aconteceu assim por acaso?

A guerra estava perdida!

Assim proclamam, aos quatro ventos, com certo histerismo, os mais directos responsáveis da chamada «descolonização», da maior tragédia da nossa História, procurando justificar-se e cobrir-se.

Mas estava a guerra perdida?

Em Angola, achava-se a caminho de ser prática e definitivamente ganha económica, sócio-política e militarmente. Vitoriosa em Angola, a subversão teria os dias contados em Moçambique. Na Guiné a situação modificar-se-ia. Isso seria o sucesso da política ultramarina portuguesa.

A guerra não estava perdida! Foi o 25 de Abril (e a sua preparação) que traiu a vitória em Angola com as suas consequências previsíveis.

E nestas circunstâncias, em face da situação vivida no princípio de 1974, e depois de tudo o que aconteceu de então para cá, é inteiramente legítimo concluir que o 25 de Abril, focalizado nas suas consequências militares, estrategicamente revolucionárias na escala mundial, foi concebido, impulsionado e executado para que em Angola se não vencesse a guerra que o inimigo tinha perdido.

Terá havido «portugueses» que, conscientemente, se tenham deixado envolver em tão repugnante conluio?

Em oposição aos bravos que morreram pelo Ultramar, somente «os piores de todos nós».

Aquele «alguém» para o qual o Gen. Nórton de Matos clamava, em 1953, a atenção dos «Novos de Portugal» em patriótica advertência:

«Se alguém passar ao vosso lado e vos segredar palavras de desânimo, procurando convencer-vos de que não podemos manter tão grande império, expulsai-o do convívio da Nação».

Expulsai-o do convívio da Nação!

Gente que, para sempre, Camões estigmatizou em versos inesquecíveis9:

«Ó tu Sertório, ó nobre Coriolano, Catilina, e vós outros dos antigos Que contra vossas pátrias com profano Coração vos fizestes inimigos: Se lá no reino escuro de Sumano Receberdes gravíssimos castigos, Dizei-lhe que também dos Portugueses Alguns traidores houve algumas vezes.»

Teriam sido poucos?

Nunca tão grandes!

Silvino Silvério Marques


  1. É de aproximar esta situação, e a desesperada busca de apoios dela decorrente, das diligências que tiveram lugar em 1973 (ano trágico para o MPLA) e culminaram nas posições assumidas pelos marxistas portugueses em Abril/Maio e em Setembro daquele ano, em Paris, às quais já fizemos referência. 

  2. Menos determinantes, mas ainda assim importantes, mesmo numa guerra subversiva. 

  3. A simples inversão das percentagens dos efectivos atribuídos a Angola e a Moçambique (percentagens que em 1973 eram respectivamente, conforme o III Quadro, de 43% e 37%) correspondia a aumentar de 18% os efectivos das Forças Armadas em Moçambique. 

  4. Em conversa com o Dr. Salazar, nas vésperas da nossa partida para Angola em fins de Out. ou princípios de Nov. de 62, foi-nos recomendado - «Vai ser uma longa guerra. Tem de se tornar económica em baixas, em efectivos e em despesas».

Vai ser uma longa guerra … A da Restauração, a mais importante das nossas guerras, prolongou-se por 30 anos, em complexas vicissitudes no Ultramar e períodos de paz relativa. Será que, em face da instabilidade que se vive, apenas se escoaram 16 dos anos de uma guerra mais longa que nos foi imposta? 
  • Na medida em que reside nos Estados Unidos a maior colónia cabo-verdeana, e em face da posição do Arquipélago, trata-se mesmo de manobra atrevida… A menos que o Arquipélago dos Açores tenha sido destinado a revelar-se como objectivo de compensação… Haverá efectivamente um Tordesilhas agora por zonas? 

  • Um motivo de orgulho dos cabo-verdeanos é que «ali sempre tinha sido Portugal». Como, na Terceira, nos Açores, também na Ilha do Fogo nunca a bandeira portuguesa havia sido arreada, mesmo no tempo dos Filipes. 

  • Como previsível, em consequência, o robustecimento estratégico de toda a África meridional, do ponto de vista do Ocidente. 

  • Em Nov. de 74, a um ano da «independência», quando dos vergonhosos acontecimentos de Cabinda (sequestro do Governador, e Comandante Militar e de seus oficiais por «tropa portuguesa» bandeada com forças do MPLA) já, em Angola: oficialmente se declarava que «estavam em curso as diligências para a transferência do poder ao MPLA»… 

  • Os Lusíadas, IV, 58. 

  • publicado por Henrique
    classificado sob 'Silvino Silvério Marques' , 'A Vitória Traída' , 'Angola' , 'Moçambique' , 'Cabo Verde' , 'Guiné' , 'Timor'